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9.11.2000
Ensinando arte para um público especial
Ebenezer de Menezes, da Agência EducaBrasil

Desde 1991, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) desenvolve um programa de atendimento ao público portador de deficiências sensoriais, motoras e mentais. “Museu e Público Especial” é o único projeto no Brasil que destaca a importância do museu como espaço sócio-cultural também para pessoas deficientes. Dessa forma, adapta exposições para que o público aprecie as obras de arte de forma não somente visual mas também sensorial, através do tato.

Mas é um outro aspecto que torna único o projeto “Museu e Público Especial”. Baseado numa proposta de ação educativa, ele tem como objetivo motivar e ampliar o conhecimento da arte a este público especial. Ou seja, educadores elaboram e aplicam atividades adaptadas às necessidades dos participantes incluindo utilização de material multisensorial e a realização de atividades práticas que contribuam para o entendimento da arte. É por isso que o projeto também oferece à comunidade assessoria, cursos e palestras, dirigidos principalmente a estudantes e profissionais ligados às áreas de arte-educação e educação especial, bem como exposições itinerantes e intercâmbios culturais e educativos entre escolas e instituições públicas e privadas.

Além de coordenar o projeto, a professora Amanda Pinto da Fonseca Tojal leciona o curso “Ensino da Arte na Educação Especial”, que trabalha com a instrumentalização de profissionais de educação, saúde e arte para o planejamento de aulas e cursos que destaquem a apreciação visual e sensorial do objeto artístico. Tudo baseado em metodologias contemporâneas do ensino da arte que estão sendo aplicadas no programa de ação educativa do projeto desenvolvido no MAC/USP.

Amanda Tojal tornou-se especialista nesta área. É mestre em artes plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da USP e defendeu a dissertação “Museu de Arte e Público Especial”. Em março deste ano, foi chamada para coordenar o projeto “Públicos Especiais”, realizado junto à Mostra do Redescobrimento: Brasil +500 para que portadores de necessidades especiais de várias instituições participassem da exposição. Ela conta, na entrevista a seguir, a experiência de trabalhar com o ensino da arte para públicos especiais e na orientação daqueles que vão lidar com este público:

EducaBrasil – Como tem sido sua experiência com o curso de Ensino da Arte na Educação Especial?
Amanda Pinto da Fonseca Tojal - Eu sinto que há uma grande carência profissional de professores e de profissionais que lidam com as áreas de saúde, de trabalhar a arte de uma forma não somente terapêutica, mas também voltada para o conhecimento da Arte, como História e Cultura, além da produção artística. As pessoas não têm essa experiência principalmente porque, ao trabalhar com o portador de deficiência, geralmente se especializam mais na área de educação ou de terapia, obtendo conhecimentos supérfluos em Arte e Ensino da Arte. Quando não há experiência na área artística e a pessoa se depara com o trabalho corpo-a-corpo junto aos seus alunos ou pacientes, percebe a importância da arte nesse processo. No curso, nós tentamos dar essa visão da importância da arte como conhecimento, dando subsídios para uma produção mais consciente e não dirigida somente ao trabalho artesanal, o que geralmente ocorre nas instituições especializadas e é denominado erroneamente de Ensino da Arte. Nosso objetivo não é enfatizar a arte apenas como processo ou diagnóstico terapêutico, mas de conhecer arte para estimular a produção da arte sem, no entanto, abandonar a expressividade, a individualidade e as referências culturais e históricas de cada aluno ou paciente participante.

EducaBrasil - Na prática, como isso se dá?
Tojal - O curso pretende preparar o profissional para planejar programas e cursos de arte dentro da escola ou instituição. A idéia é fazer um curso teórico-prático. Terminando o curso, o participante apresenta o planejamento de um programa anual que ele adotaria com seus alunos ou pacientes. O que ele vai fazer de diferente nesse programa? Ele vai trabalhar com o conhecimento, com a História da Arte, incluindo também o “objeto sensorial”, pois nós estamos enfatizando no curso também a percepção tátil, que em muitos casos, dependendo do nível de comprometimento físico ou mental do aluno, passa a ser mais importante para a compreensão do objeto artístico do que a percepção visual ou verbal. Nós trabalhamos com pessoas que muitas vezes têm dificuldades de visão e comunicação verbal e consequentemente necessitam muito mais do objeto concreto para poder tocar e se relacionar. Do mesmo modo, quando o público possui limitações intelectuais adaptamos conceitos mais abstratos para possibilitar um conhecimento mais significativo a partir de uma experiência mais real e concreta.

Os participantes deste curso organizam um programa de artes dirigido para as necessidades das propostas que irão desenvolver na instituição deles e dentro das especificidades dos alunos ou pacientes que estão diretamente envolvidos. O sucesso do curso tem sido grande, tanto que as inscrições, que são feitas sempre no segundo semestre de todo ano, acabam se encerrando com uma lista de espera para o ano seguinte. Há uma grande carência nesta área de Ensino de Arte na Educação Especial. Pensando nisso, o curso inclui também na sua programação o pensar e refletir as diversas deficiências e suas naturezas e como devemos adaptar estas diferenças em cursos e programas de arte. Também, há a possibilidade de desenvolver este projeto em outras instituições para que os professores possam trabalhar a arte com qualidade dentro da sala de aula, pensando as diferenças e limitações de todos.

EducaBrasil – Qual é a importância da arte para a educação especial?
Tojal - Eu acho que a Arte é tão importante quanto qualquer outra área do conhecimento, apesar dela ter sempre sido desvalorizada em relação as outras. A Arte é uma forma de conhecimento e expressão pessoal e coletiva que todo ser humano acaba desenvolvendo de uma maneira ou de outra. Ela é exatamente a maneira com que as pessoas conseguem se comunicar não verbalmente. Seus sentimentos, seus conhecimentos com relação ao universo, a vida e ao cotidiano... Para pessoas portadoras de deficiências ela tem também uma grande importância porque estas pessoas tem uma necessidade muitas vezes maior de trabalhar as suas questões emocionais, sensorias e de comunicação não verbal. A Arte poderá, desta forma, oferecer melhores subsídios para que elas possam se comunicar e se expressar dentro de suas necessidades e limitações.

EducaBrasil - Hoje existe um método para utilizar a arte na educação especial?
Tojal - Creio que nesta área os métodos na Educação Especial são fruto de adaptações de métodos de Ensino da Arte já existentes, como os que no caso são abordados e utilizados no curso organizado pelo MAC. Conheço alguns trabalhos e pesquisas nesta área e atualmente podemos notar um maior interesse relacionado à arte em parceria com a terapia, mas na maioria dos casos referindo-se à Arte como forma de diagnóstico terapêutico. Porém, a Arte como conhecimento e como expressão do indivíduo e do universo do portador de necessidades especiais são menos freqüentes. Vejo uma grande carência nessa área, tanto que o projeto “Museu e Público Especial” do MAC-USP tem sido considerado o pioneiro no Brasil e ele próprio acabou por criar o curso Ensino da Arte na Educação Especial para abrir este espaço de reflexão aos profissionais interessados nesta área.

EducaBrasil - Que resultado pode-se esperar dos portadores de deficiências que participam desta experiência?
Tojal – Eu acho que, ao falar de museu, acesso à cultura e ao patrimônio, o público especial terá a oportunidade de participar deste espaço de uma forma significativa e pensada para as suas necessidades, da mesma forma que o público geral. O museu era um espaço extremamente intelectualizado, sacralizado, de difícil acesso até para o público em geral, quanto mais para um público com algum tipo de limitação. Abrir o espaço do museu para essas pessoas é incluí-las dentro de um programa cultural para todos. Esse é o nosso objetivo principal.

Em segundo lugar, a participação mais efetiva destas pessoas, apoiadas por um programa de ação educativa especializada, vai possibilitar uma melhor fruição e conhecimento da Arte. Isso, além de ser um direito de todos, torna-se um trabalho de extrema importância porque todos os participantes terão condições de expressar as suas emoções, além de interagirem com a dinâmica do seu grupo no momento em que estão trabalhando e desenvolvendo as atividades. O trabalho artístico proporciona, além do espaço para a expressão, um auto-conhecimento, uma melhoria da auto-estima, da percepção do mundo, da integração social, enfim, conhecer a si mesmo, aos outros e ao mundo ao seu redor. Além de se tratar de um trabalho de conhecimento e produção de Arte, indiretamente acaba por se tornar um trabalho voltado também para as questões terapêuticas. Ele poderá possibilitar também um desenvolvimento psicomotor, social e individual e uma série de outros fatores que não incluo como meus objetivos principais, mas que podem ocorrer simultaneamente.

EducaBrasil - Quais orientações o educador que lida com o deficiente e quer utilizar a arte precisa para planejar uma aula com os alunos?
Tojal - Esse é o tema do meu curso. Nós trabalhamos as metodologias do ensino da arte adaptadas ao público especial e também as diferentes limitações e as diferentes características dessas limitações. Discutimos um pouco sobre quem são essas pessoas e quais são as características mais gerais que ocorrem em cada deficiência. Depois, nós trabalhamos o próprio profissional, fazendo-o experimentar o conhecimento a partir das questões sensoriais, ou seja, como você exercita não só o visual, mas também o sensorial dentro da Arte. A partir desta perspectiva torna-se importante planejar, cada profissional em particular, a didática que possa melhor se adaptar com seus alunos ou pacientes. Nós planejamos cursos e programas de arte para o público alvo dependendo das necessidades de cada profissional. Isso porque nós temos profissionais de todas as áreas, desde profissionais que ensinam crianças com deficiências auditivas até adultos psicóticos. Então, cada profissional tem que estar envolvido com o seu público e preparar programas voltados para estas pessoas.

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