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21.9.2001
A gestão da disciplina na sala de aula
Ebenezer de Menezes, da Agência EducaBrasil

A indisciplina se aprende, porém a disciplina também se aprende, garante o professor Joe Garcia, do Mestrado em Educação da Universidade Tuiuti, do Paraná. Para conduzir estudantes da indisciplina para a disciplina, ele articulou algumas idéias envolvendo ações preventivas, gestão com lideranças e estratégias de intervenção. Em sua palestra “Afinal, quem manda aqui? A gestão da disciplina em sala de aula”, realizada no Saber 2001, entre os dias 13 e 15 de setembro, Garcia ilustrou o problema com o caso de uma professora que desistiu de seu aluno. Ela disse que fez “tudo”, mas não sabia dizer o que era esse “tudo”. Além disso, fez “tudo” apenas por duas semanas. “A indisciplina desse aluno foi aprendida, então ele não vai mudar em duas semanas”, explicou Garcia, trazendo uma noção para a discussão: “Observo uma desarticulação entre planejamento da disciplina e planejamento de aprendizagem na gestão do projeto político pedagógico”.

Em outras palavras, Garcia disse que no início do ano letivo, geralmente, não há trabalho disciplinar integrado com o processo de ensino-aprendizagem. Em função disso, a indisciplina é entendida como anomalia ou incidente. Como conseqüência, interrompe-se o ensino para resolver o problema de forma isolada de todo o processo de aprendizagem, consumindo tempo precioso de alunos, professores, coordenação e de todos os envolvidos na instituição escolar. Para pensar o problema, Garcia propõe um trabalho preventivo e com possibilidade de intervenção, se necessário.

Se compararmos com a década de 1950, Garcia entende que o problema da indisciplina está mais complexo, com causas novas e antigas. Em função disso e das exigências da organização escolar, precisamos de gestão e, principalmente, de liderança de pessoas e idéias, para planejar e organizar as ações. “A autoridade vem da competência dos professores para ensinar”, salienta Garcia, que fez seu doutorado em Educação na PUC-SP. Ele entende que os jovens precisam de liderança para perceberem uma perspectiva de futuro. “Não vamos dar o futuro para eles, mas levá-los a conhecer futuros possíveis”. Segundo Garcia, se os pais não participam e os alunos se aproveitam da ausência dos pais, é porque falta liderança.

Joe Garcia também ressaltou a importância de se pensar mudanças de paradigmas. Ele disse que há escolas construtivistas no planejamento do ensino-aprendizagem, mas são comportamentalistas quando aparece a indisciplina, gerando desconforto nos alunos, nos professores e nos pais. “É preciso adotar um paradigma consonante com a realidade da escola”.

Ainda com relação à gestão, que deve contemplar um plano de prevenção e intervenção, Garcia salientou que não devemos priorizar a intervenção em detrimento da prevenção. Ele disse que muitos professores esperam a indisciplina aparecer para depois fazerem algo que devia ser previsto na escola como um todo. Ou seja, esperam um “problema concreto”. “É bom saber que os bombeiros não pensam assim”, ironizou Garcia, lembrando o trabalho preventivo com extintores, saídas de emergência e placas de sinalização, antes mesmo do incêndio acontecer. Referindo-se a uma pesquisa, o professor disse ainda que “a indisciplina é a principal causa de estresse entre os professores”.

Há vários sintomas que indicam, segundo Garcia, uma falta de gestão: por exemplo, quando o problema ocorre na sala de aula e toda a escola é mobilizada para resolvê-lo; ou quando não há um trabalho de formação de professores; ou ainda quando a relação com a comunidade não é considerada no planejamento. Ele recomendou, nesse sentido, várias ações: monitoração da indisciplina, acompanhamento dos alunos, sensibilidade para identificar a falta de motivação, capacidade para avaliar resultados etc.

Se o melhor incêndio para apagar é o que não começou, no caso da indisciplina deve-se evitá-la, diminuindo a possibilidade se seu aparecimento e aumentando as chances da disciplina. “Devemos aumentar a propensão para a disciplina com a motivação, o bom relacionamento e ações conjugadas na escola como um todo”. Garcia acredita que uma visão compartilhada na escola evita aquilo que é comum em casa: a mãe diz para o filho não sair, mas o pai libera e vice-versa.

O professor recomendou ainda, em sua palestra, a criação de vínculos afetivos, intelectuais ou de confiança. Isso pode ser praticado até com a lista de chamada, demonstrando interesse pelos alunos. “Escolha três alunos por dia e gaste um tempo com eles durante a chamada”, orientou. Acordos e contratos pedagógicos também são importantes, mas não podem ser confundidos com os “combinados” que, na verdade, são os chamados “solicitados”. Para tanto, sugeriu começar com um princípio, por exemplo, da amizade ou solidariedade, que devem legitimar a autoridade do professor.

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