Por uma pedagogia da pergunta e do diálogo

O Colóquio de Filosofia e Educação, realizado pelo Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças, promoveu uma mesa-redonda com o tema “Rediscutindo a Filosofia: conteúdo e metodologia”, no último dia 20. Realizado no auditório do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), o encontro ofereceu ainda exposição de pôsteres, oficinas e visita à exposição “Egito Faraônico: terra dos deuses”, com desconto de 50% nos ingressos oferecido pelo Serviço Educativo do Museu. O evento, que também teve o patrocínio do Yazigi Internexus, reuniu para a mesa-redonda os professores José Auri Cunha, do Colégio Vera Cruz, Marcos Antonio Lorieri, da PUC-SP, e Dalva Aparecida Garcia, do Colégio Santa Maria.

Cunha iniciou sua fala citando uma idéia do filósofo inglês Bertrand Russell (1872-1970): a de que a historia da filosofia ocidental não passa de notas de rodapé das filosofias de Platão e Aristóteles. Como desdobramento, segundo o professor, podemos dizer que o pensamento ocidental tem se pautado por uma disputa de posições a respeito de dois conceitos de homem. Platão tinha uma concepção idealista do homem e Aristóteles, uma concepção realista.

Depois de apresentar esse parâmetro sobre as duas grandes teorias, Cunha mostrou um parâmetro sobre a história das práticas e do fazer filosófico. Poderíamos dizer que a história das práticas marca posições entre um fazer filosófico socrático e um fazer platônico. Do ponto de vista prático, é difícil demarcar o que é de um ou de outro. “Existe um Sócrates dentro de Platão, mas provavelmente existe um Platão dentro de Sócrates”, explicou.

O professor Cunha, que escreveu o livro Iniciação à investigação filosófica, lançado pela editora Atual, fez algumas questões durante sua palestra: Fazer filosofia para quê? Qual a vantagem? Qual o significado do filosofar? “Certamente, visamos entender o homem”, disse o professor, arriscando uma resposta. Mas salientou que é um entender diferente da Biologia ou de outra área do conhecimento: “Ver o homem como criador de valor, idéias, significados e projetos”. Daí a importância, ressaltou o professor, de se questionar quais idéias e quais valores. Além disso, é preciso se perguntar: Como as idéias aparecem no nosso cotidiano?

Cunha entende que as idéias aparecem na forma de mentalidades, modelos, expectativas e crenças. Do ponto de vista da consciência, as idéias estão para nós na forma de crença. E do ponto de vista dos valores, para saber a importância das crenças, a filosofia adotou a importância do valor de verdade, marcando uma ruptura socrática na história da filosofia. Então, fazer filosofia, seja do ponto de vista teórico, das doutrinas, ou das práticas, o objetivo é buscar a verdade das coisas, a validade das regras, normas e costumes.

O professor, que atua como diretor do Centro Regional de Filosofia para Crianças na região de Campinas, falou ainda, durante a palestra, da importância de se desenvolver competências reflexivas, investigativas e deliberativas na educação. Ele também frisou a importância da pedagogia filosófica, que seja consistente com a dignidade de sua história, com uma pedagogia da pergunta e do diálogo. “Sem uma pedagogia da pergunta e do diálogo não podemos dizer que temos uma prática filosófica”, afirmou.

Leia a cobertura das outras falas:
José Auri Cunha, do Colégio Vera Cruz
Marcos Antonio Lorieri, da PUC-SP
Dalva Aparecida Garcia, do Colégio Santa Maria


COMO CITAR ESSE CONTEÚDO:
SANTOS, Thais Helena dos. Por uma pedagogia da pergunta e do diálogo. Educabrasil. São Paulo: Midiamix, 2001. Disponível em: <http://www.educabrasil.com.br/por-uma-pedagogia-da-pergunta-e-do-dialogo/>. Acesso em: 14 de dez. 2018.

Ou

Por uma pedagogia da pergunta e do diálogo, por Thais Helena dos Santos, em Educabrasil. São Paulo: Midiamix, 2001. Disponível em: <http://www.educabrasil.com.br/por-uma-pedagogia-da-pergunta-e-do-dialogo/>. Acesso em: 14 de dez. 2018.

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